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Volta e meia me perguntam: “Eduardo, qual é o seu tipo de mulher?”. Já dei as mais variadas respostas: “Mulheres que tenham uma mistura de ar sonso com ar insolente”, “garotas estilo indie que frequentam a Funhouse”, “peitudas de cabelos curtos”, “iranianas”, “uma atriz pornô chamada Eve Lawrence”, “garotas com curvas voluptuosas e a pele excessivamente branca”, “as que nasceram em 1982”, “as que nasceram em 1966”, “garotas que, sabe-se lá por quais motivos, gostam de mim”, “as inteligentes”, “Fernanda Venturini”. Todas essas respostas são verdadeiras, mas parciais. O que realmente me fascina são aquelas raras mulheres que, de fato, sabem se colocar à vontade no mundo, que circulam por aí cheias de invulnerabilidade e desinibição.
(Poderia complementar esse primeiro parágrafo com a pergunta “E qual não é o seu tipo de mulher?”. As respostas seriam: “as burras”, “as vulgares”, “as pretensiosas”, “as magras demais”, “as gordas demais”, “as desequilibradas”, “as complexadas”, “as carentes”, “as que, por suporem que não conhecem os códigos de conduta de um determinado lugar, se tornam arrogantes e não concedem sequer um sorriso de cortesia temendo que isso poderá comprometê-las”.)
Mas volto ao ponto sobre invulnerabilidade e desinibição. Será que eu já conheci uma mulher de fato invulnerável e desinibida? Sim, creio que sim, algumas poucas, algumas poucas vezes. Se bem que talvez eu tenha guardado essa impressão delas apenas porque nossa relação não passou da superfície. De fato, todas minhas relações que se aprofundaram acabaram revelando surpresas: aquela garota que parecia muito “cool” e que acabou mostrando ter um lado excessivamente humilde, excessivamente cachorrinho vira-lata tremendo na chuva; aquela outra que parecia muito segura de si, mas que por trás dessa máscara era afoita, ofegante, desesperada para ser aceita; a que parecia ser inteligente, mas que em pouco tempo mostrou-se incapaz de interpretar o mais simples enunciado emitido por mim sem lhe distorcer totalmente o sentido; a ostensivamente liberal que, no fundo, era uma déspota; aquela que a princípio era dotada de grande ironia e senso de humor, mas que com o tempo mostrou ter um apetite insaciável por declarações piegas. E por aí vai.
O que eu acho que esses exemplos que citei demonstram é que todo mundo, se lhe for dada a devida chance, acabará revelando seu lado pobre-diabo e sua incorrigível cabeça-oca. O tesão e admiração estimulante que sentimos por uma pessoa parece que estão sempre fadados a degenerar para um mero sentimento de misericórdia.
OK, já que essa coisa de pessoas que sabem se por à vontade no mundo no fundo é uma fraude, retifico as respostas que dei sobre meu tipo de mulher. Meu tipo de mulher na verdade é: as que têm grande mestria no sexo oral (por exemplo, que não tentam forçar o pau até a garganta porque ouviram dizer que os homens gostam disso). As que têm uma noção bastante lúcida sobre suas próprias misérias. As elegantes, as razoáveis e as sensatas. As que têm algo de genuinamente inusitado, idiossincrático, em si. As que têm noção de limites e, sobretudo, noção de respeito ao semelhante. As que têm a pele gostosa. (Tá, se for tudo isso e ainda for parecida com a Eve Lawrence – uau! – será perfeito.) As que têm a individualidade bem desenvolvida. As francas, as objetivas. As não dissimuladas e as que não são dadas a lisonjas. As realistas.
fonte: uol.com.br
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Adicionado em: 06-04- 2010
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